19 – Perturbações espirituais. Nossos atos e pensamentos atraem espíritos afins. Necessidades de vigilância

19 – Perturbações espirituais. Nossos atos e pensamentos atraem espíritos afins. Necessidades de vigilância.
Cap. XII – itens 4 – 5 – 6 do ESE .
Questões 459 a 472 e 478 e 479 do L. E.
Livros: 01 – pág. 191
06 – pág. 67
13 – pág. 119
O PRIMEIRO PASSO

A estrada era de barro, estreita, poeirenta, castigada por in¬clemente canícula. As margens do caminho, a vegetação ressequida pelo causticante sol nordestino denotava a ausência de água por meses a fio.
Percorrer dezenas de léguas no lombo de um jumento, cur¬tindo sede, padecendo fome, parecia tarefa impossível para um ser humano comum.
Movido, porém, pelo ódio que torturava sua alma, açoitado pelo louco desejo de vingar o assassinato do pai, José, resoluto, avançava imprudentemente, desafiando a resistência do animal que lhe servia de montaria.
Passara toda à noite no velório, remoendo a idéia de vindita contra aquele que tirara a vida do seu genitor. Imediatamente após o sepultamento, sem os necessários preparativos para a penosa via¬gem, montou um velhusco jegue e partiu apressado.
No difícil trajeto, relembrava sua infância feliz junto ao que¬rido pai, a extremada bondade paterna para com todos, a invulgar sabedoria daquele homem rude que soube ser íntegro e virtuoso, mesmo vivendo em ambiente hostil. As recordações angustiavam o coração endurecido de José que, a todo momento, exigia mais do fatigado animal.
Passava um pouco das três da tarde, o pobre jerico extenuado tropeçava em cada pedra da estrada até tombar inerte, ornejar e desfalecer.
José não desistiu, prosseguiu a pé, arrostando todas as difi¬culdades, desafiando os próprios limites.
Com os pés feridos, os lábios rachados, febris, semi-incons¬ciente, José caminhou por mais meia hora e desmaiou esgotado, vencido pela sede, pela fome, pelo cansaço.
Em seu delírio, reviu o pai nimbado de tênue luz, o olhar tristonho e a voz comovida que lhe sussurrava aos ouvidos:
“Filho, o ódio embrutece e a vingança arruína, o amor adorna a alma de luz e o perdão enobrece. Seu rancor enche de trevas o seu coração e por isso prende o meu espírito ao mundo material do qual preciso libertar-me para subir a paragens superiores. Desci a terra como homem para encaminhá-lo na senda do bem e você tem relutado em seguir meus exemplos. Do alto da cruz, Jesus perdoou aos seus algozes, também eu perdoei a meu verdugo. Faça o mesmo, perdoe para ser feliz. Ninguém é totalmente mau, hoje mesmo você terá a prova disso”.
Momentos depois, José despertou sob os cuidados de al¬guém que lhe dava água e o alimentava com rapadura. Com os olhos ainda anuviados, não distinguia o seu benfeitor, contudo, sentia-se reconfortado e agradecido.
Já refeito da exaustão física, no total domínio dos sentidos, José, emocionado, contempla o azul do firmamento, rememora embevecido a visão e os conselhos do pai, alça o pensamento a Jesus suplicando forças para poder esquecer as ofensas recebidas.
Cruel surpresa o aguardava; tinha diante de si o carrasco do seu pai, o mesmo homem que o socorrera amistosamente. Foi como se um pedaço do céu desabasse sobre ele. Teve ímpeto de investir e trucidar quem minutos antes o salvara. Conteve-se, retrocedeu em seus propósitos belicosos. Disfarçou, agradeceu e retirou-se sem se identificar. Seu jumento também estava de pé, havia descansado, retornaram juntos.
José não perdoou de pronto, sentia-se ainda ferido e ma¬goado, mas não se tornou um criminoso.
A oração ajudou-o a vencer a luta contra a tendência malsã. Prevaleceu o ensinamento de Jesus, contido em Mateus, cap. XXVI, v. 41: “VIGIAI E ORAl PARA QUE NÃO ENTREIS EM TEN¬TAÇÃO”.
Foi dado o primeiro passo para a regeneração daquela alma.

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